Memórias da RME

Projeto Memória da Rede Municipal de Ensino de Curitiba - 1999 a 2012. Resgatando a história da instituição.

Histórias

FAZENDO HISTÓRIA

Quando fui convidada pela Everly, através da Fahide para participar do encontro sobre o Projeto Memória, não imaginei a mudança profissional que aconteceria em minha vida, pois na reunião encontrei uma colega de trabalho, qua há muito não via, ela trabalhava no Departamento de Logística/SME, com o então Diretor Cilos, esta colega me chamou para trabalhar com ela, vim para fazer a entrevista e cá estou desde então, no momento, atuando na Coordenadoria de Obras e Projetos, local de onde surgem as providências iniciais para a construção de novas Escolas e CMEIs, damos o start em toda a parte burocrática, para o início da obra, como se fosse "Registro de Nascimento" das novas unidades. É muito gratificante quando viajo e ouço elogios da nossa cidade, sinto orgulho de fazer parte desta equipe tão comprometida em oferecer equipamentos de excelente qualidade para atender nossos pequeninos curitibanos, que estão sendo educados com formação baseada na dignidade, cidadania e respeito, pois serão futuros profissionais que dirigirão nossa bela cidade, que sempre destaca-se por ser referência, com um toque de vanguarda. Dinacir Lúcia Favoretto. Assessoria Executiva da SME - Coordenadoria de Obras.

 

PARABÉNS PELO GRANDIOSO E MARAVILHOSO TRABALHO!

Olá, meninas! Hoje estou particularmente muito feliz! E vou roubar um pouco do tempo de vocês para contar o motivo. Minha amiga me pediu auxílio para pesquisar o número de escolas, por núcleo, no período de 1996 até 2008, para um estudo de doutorado. Confesso que fiquei meio zonza e imaginando como faria isso. Assim que cheguei em casa fui logo revirando a página da Cidade do Conhecimento. Quando abri a Memória da RME estava tudinho lá e muito além do que minha amiga havia me pedido. Tudo muito bem organizado e explicado.Liguei para ela e lhe informei aonde encontrar, pois ela poderia querer saber algo mais sobre as escolas e lá encontraria. Fui diretora da Escola Municipal Paulo Freire na gestão 2006/2008 e me recordo quando foi feita a solicitação de fotos que retratassem um pouco o início da história da nossa escola, achei a idéia grandiosa e as enviei. Como é bom saber que temos uma equipe com habilidade e competência e que resgatou do sono profundo em que se encontrava a história da e ducação municipal curitibana! Sabendo que a educação está permanentemente em construção, com certeza, há grande relevância em manter viva e acordada a sua história, pois muitos talvez tenham a " impressão de que a escola sempre existiu e a forma como nos referimos à educação escolar, muitas vezes parece desconsiderar a história..." (FREITAS - O aluno-problema: forma social, ética e inclusão, 2011). A Memória da RME, para quem está do lado de cá, não é só leitura - prazer, é também resgate, retorno, passeio, imaginação, arte ética e estética, é estudo e pesquisa, e muito mais! Para quem está do lado de lá, vocês, assim, pesquisando, construindo, resgatando... e trabalhando muito para nos oferecer este deleite, é paciência, amor, dedicação e boa dose de doação. Fiquei fã! Parabéns pelo grandioso e maravilhoso trabalho! Att, Tânia Mara Dall Alba

 

MINHA HISTÓRIA COMO ALUNA E COMO PROFISSIONAL DA RME

Minha história em Curitiba e como aluna de escolas municipais começa em 1980, quando minha família, em busca de dias melhores saiu de uma fazenda próxima a Bandeirantes, no interior do estado e nos aventuramos para a capital. Fomos morar no Bairro Santa Efigênia e lá minha mãe logo procurou uma escola para matricular a mim e meu irmão. Foi então que minha relação com a Secretaria Municipal de Educação começou na Escola Municipal Júlia Amaral Di Lenna. Lembro-me de tantos momentos especiais, pois é certo que naquela época tínhamos tanta coisa para fazer no período contrário de aula que eu corria pra casa para logo retornar para as atividades extracurriculares. Assim, tive oportunidade de fazer ginástica rítmica desportiva e orgulhosamente abrir os Jogos Municipais na Praça Oswaldo Cruz, orientada pela professora Celinha (que na época era uma adolescente recém concursada como professora). Participei de treinamentos de caçador e dama e tenho medalhas da época. Lá tive oportunidade de colocar em prática minha criatividade para escrever, montando com outros colegas (Fábia, José Luiz...) peças de teatro para buscar já nos idos da década de 80 falar de Educação Ambiental com a peça "Seu Verdulino e a Menina Rosinha"... meu Deus e eu tinha somente 10 anos e já queria mudar o mundo! Lembro bem das professoras: Ana, Elba (irmã da presidente do CME Everly) e a Diretora Danuza Konfidera (firme e adorável!). Não posso esquecer que na época participamos de uma Gincana no Programa Mário Vendramel e ganhamos!!! Depois disso, a vida da família começou a melhorar e meu pai conseguiu comprar um apartamento na Vila Oficinas e lá fui eu estudar na Escola Municipal Prefeito Omar Sabbag. Aqui, novamente tive experiências fantásticas, além de uma preparação acadêmica louvável! O diretor Airton Araújo, com pulsos firmes dirigia cada movimento nosso, até o comprimento do avental (rosa para as meninas e azul para os meninos). Ali conheci amigas de toda a vida: Elizete da Luz (professora da Escola Anjo da Guarda há 20 anos formada em Letras Português), Joelma Estevam (arte-educadora e mestre em educação), Sueli Chalegre (professora e diretora do SISMMAC) e tantas outras que estão por aí fazendo história. Foi nessa época: de 1982 à 1984 que a dança e a escrita foram amplamente incentivadas pelos grandes docentes que tive oportunidade de conviver. Fiz jazz, ganhei certificados de honra ao mérito, treinei voleibol e fui muito feliz!!! Foi aqui que eu e minha turma de amigas resolvemos fazer o teste de admissão no Instituto de Educação do Paraná e é claro todas passamos, porque a Escola Prefeito Omar Sabbag era referência de ensino e nos ajudava a abrir portas para o futuro profissional. A história continua: terminei o magistério, fiz Pedagogia na Universidade Federal do Paraná e em 1991 fiz concurso e ingressei na Rede Municipal de Ensino. Nesses 20 anos, casei, tive 3 filhos lindos: Vinicius (16 anos) na época trabalhava na Escola Municipal Pró-Morar Barigui da saudosa Iodéia Felício; Bárbara (8 anos) fui paparicada pelas colegas da Escola Municipal CEI Júlio Moreira e Lorenzo (4 anos) quando trabalhava na Escola Municipal dos Vinhedos. Passei por aproximadamente 16 escolas da Rede paralelo ao trabalho na rede privada, mas digo com orgulho que é na rede municipal de ensino de Curitiba que me "fizeram a profissional que sou hoje". Graças a essa experiência fui docente no Curso Normal Superior nas disciplinas de Didática e Estágio Supervisionado, em cursos de Pós-graduação nas disciplinas de Projetos Interdisciplinares, Supervisão e Orientação Educacional; Palestrante em Escolas de Curitiba, Região Metropolitana, Londrina, Umuarama, Ibiporã, Taubaté -SP, consultora de Editoras de Livros na área de projetos e alfabetização, sempre referendando a minha prática docente e o trabalho de pedagoga que exerço desde 1996. Fiz e faço tanta coisa, que acho que o dia é curto demais! Escrevo músicas para alfabetizar e falar de temas como respeito, diversidade, paz, aprender, biodiversidade. Fiz meu primeiro Hino para a Escola Municipal Professora Luiza de Bateias. Agora chega, mas quero terminar dizendo que gosto mesmo é de estar com as crianças... elas são a razão de tudo que faço e ainda vou fazer. Elas me incentivam a alçar voos que os adultos preferem não arriscar e com elas tenho aprendido dia a dia a valorizar coisas simples e enxergar o mundo naquilo que ele tem de melhor! Hoje sou pedagoga da Escola Municipal CEI Pedro Dallabona e lá as crianças sabem bem como sou: intensa em tudo, firme quando precisa e acolhedora quando necessário... os erros? Como boa professora sempre carrego uma borracha potente que me ajude a apagar e reescrever a minha história... Eliane Aparecida Malaquias Breda

 

PRIMEIRO SECRETÁRIO DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE CURITIBA

Na Rede Municipal de Ensino de Curitiba, não existia o secretário nas escolas, eram somente secretárias. Fiz o concurso e fui lotado na Escola Linneu Ferreira do Amaral, em 1979. Quando fui assumir a função, a diretora me recebeu achando que eu era vendedor de algum produto de mercado. Foi muito engraçado quando participei da primeira reunião de secretários, pois me perguntaram se eu não estava na sala errada ou, também, se era um representante de vendas, porque a reunião era só de secretárias. A diretora do Departamento de Educação na época solicitou à diretora da escola que enviasse um relatório mensal para ver meu desempenho na função, pois achava que secretário na escola era algo inédito e queria que eu fosse trabalhar no setor de mecanografia do Departamento de Educação, no Edifício Ricardo Pussoli. Lembro quando a Escola Linneu precisou comprar mimeógrafo elétrico, geladeira e outros materiais necessários. Para isso, eram organizados bailões em sala de aula, que começavam no sábado às 18 horas e terminavam no domingo às 5 horas da manhã. Eu cuidava do bar, as outras secretárias vendiam ingressos, a diretora cuidava do som e todos os professores e demais funcionários que se dispunham também auxiliavam nas tarefas do evento. Conseguimos equipar a escola com mimeógrafos, geladeira, exaustor, aparelhos de som e tudo o que precisava na época. Não fui somente o secretário, havia consertos e reparos de que a escola precisava e que, com disposição, efetuei tais tarefas. Quanta saudade do tempo em que a gente ia ao orelhão de um bar distante da escola, o qual estava a duas quadras, e telefonava perguntando quando era para buscar o relatório estatístico de alunos, o relatório da merenda escolar ou levar o livro de matrículas para verificação e saber o dia em que haveria inspeção na escola para verificar se tudo estava correto. Hoje, a internet absorveu tudo isso, mas a memória ficou. Atualmente, exerço a minha função de secretário na Escola Walter Hoerner, onde sou feliz, mas tenho certeza de que ajudei a construir uma parcela da educação na Rede Municipal de Ensino de Curitiba. Omir Quadros de Miranda

 

INICIEI MEUS ESTUDOS NA E.M. PARANAVAÍ

Sou professora da Rede Municipal de Ensino há 17 anos e iniciei meus estudos na Escola Municipal Paranavaí, na pré-escola. Me formei em História e fiz especialização em Educação Infantil. Trabalhei em outras escolas e CMEI da Rede, mas a vontade de voltar para a escola onde iniciei minha vida escolar, era imensa. Meu pai, que ajudou no loteamento do local onde hoje se situa a Escola, foi quem me acompanhou no primeiro dia de aula e diz que foi amor à primeira vista ao contexto escolar. O vínculo com esta Escola é muito grande, tanto que atualmente estou na vice-direção, após 13 anos de trabalho efetivo em sala como professora regente. Um ambiente escolar saudável deixa marcas positivas nos alunos que nem o tempo apaga. Lembro com carinho de minhas professoras que fizeram crescer em mim o desejo de trabalhar com a educação de crianças. Continuei meus estudos, trabalhei em outras profissões e, após formada no magistério, retornei para fazer parte de um grupo docente que tanto se esmera em cumprir esta missão tão especial: que é a de formar cidadãos capazes de mudar sua história de vida e contribuir para a construção e melhoria da sociedade da qual faz parte. Romilda Luis Martins.

 

MINHA HISTÓRIA COM A SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO

Gostaria de deixar registrado no Portal a minha história com a Secretaria Municipal da Educação. Eu e minha família viemos morar no Bairro do Xaxim em 1992, como minha mãe trabalhava o dia todo como professora na Secretaria Municipal da Educação e Secretaria de Estado da Educação eu não tinha com quem ficar. Ela procurou a Creche mais próxima de nossa casa, a Creche Esmeralda, hoje CMEI Esmeralda, onde fui matriculada com 02 anos, ficando lá até os 05 anos. Fui aluna do maternal aos cuidados da educadora Marivalda, que continua trabalhando no mesmo CMEI. O tempo passou e eu continuei os estudos, fiz magistério no Instituto de Educação do Paraná e paralelo fiz estágio em várias escolas da Prefeitura, além de por muito tempo realizar trabalho voluntário nas escolas em que minha mãe trabalhava e trabalha, exemplo: Escola Municipal Paranavaí e Escola Municipal Lapa. Sempre estive presente acompanhando minha mãe em diversas atividades: sala de aula: 1ª a 4ª série, Educação de Jovens e Adultos e hoje Classe Especial e Sala Multifuncional. Aprendi muito sobre a educação e aprendi amar a escola. Quando surgiu a oportunidade fiz o concurso para educadora, passei e fui chamada este ano, em maio, para assumir a função. O dia da escolha foi um dia especial, entre tantos CMEIs havia apenas uma única vaga no CMEI Jardim Esmeralda no qual eu fui aluna, mas haviam muitas candidatas na minha frente e eu pensei, por certo alguém vai escolher antes, porém isso não aconteceu e eu pude escolher trabalhar no CMEI Jardim Esmeralda, um espaço que faz parte da minha história de vida. Hoje estudo na PUC /Ctba-Pr a noite, onde curso o 5º período de Educação Física. Trabalho no CMEI Jardim Esmeralda o dia todo. Está sendo um orgulho eu poder retribuir com meu trabalho todas as coisas boas que fiz e aprendi no CMEI. A cada dia trabalhado, a cada momento vivenciado com as crianças procuro me dedicar ao máximo, pois sei da importância do meu trabalho com elas para o desenvolvimento cognitivo, social e principalmente afetivo, pois amar também se aprende. Parabenizo a equipe do Portal pela organização do mesmo, dando a oportunidade de postarmos nossa história. Luana Kelly do Santos.

 

HISTÓRIAS QUE MARCARAM A MERENDA ESCOLAR

Em 25/08/1986, atendendo um convite da Profª Eronylce Tesserolli da Costa – Chefe do Serviço de Merenda Escolar, fui trabalhar no referido setor, como supervisora da Merenda Escolar de um determinado número de Escolas Municipais. Em fevereiro de 1990 fui convidada para assumir a chefia do Serviço de Merenda Escolar, cargo que ocupei até 10/05/1999, quando fui para o Núcleo Setorial Administrativo da SME. Durante o período que trabalhei na Merenda Escolar ou Alimentação Escolar passei por muitas situações que marcaram minha vida profissional e pessoal. Chorei, sorri, aprendi, ensinei, criei, cooperei, cresci, amadureci... No início, tínhamos um carro, um fusca, da FUNDEPAR que ficava à nossa disposição em determinados dias e períodos para fazermos as supervisões nas escolas atendidas. Lembro-me que num dia de inverno, saí agasalhada e fomos convidadas para almoçar com um fornecedor. O cardápio era feijoada, na hora do almoço o sol estava forte e o calor terrível. Almoçamos e eu tinha que fazer supervisão no período da tarde. Como sofri naquele dia! Recebemos, em certa remessa da FUNDEPAR, charque que apresentou problemas e lá fomos nós, as supervisoras da merenda, percorrer os quatro cantos da cidade, em escolas estaduais, municipais e entidades filantrópicas para verificar e recolher charque estragado que vinha espalhando seu forte odor dentro do “fusca”. Certa ocasião, conversando por telefone com uma escola, a responsável pela merenda disse-me gritando que eu deveria mandar sal para a escola e eles fariam a merenda. Nesta época o Prefeito era o Requião e a merenda vinha da FUNDEPAR só com gêneros básicos ou formulados sem complementos. A escola tinha que fazer campanha ou acionar a APPF para complementar o cardápio. No período de 03, 04 e 05/12/1991, treinamos 252 merendeiras das 333 escolas atendidas (municipais, estaduais e filantrópicas), num trabalho conjunto do Serviço de Alimentação Escolar, da FUNDEPAR e da ABIN (Associação Brasileira da Indústria de Nutrição). Outra vez recebemos leite que estava prestes a vencer e tínhamos que utilizar. Fizemos diversas tentativas para transformá-lo em doce de leite. Fomos até a fazenda da UFPR para ver os equipamentos disponíveis lá. Estivemos na Risotolândia, fazendo teste de transformação. Finalmente, conseguimos fazer doce e utilizar. No ano de 1996, tivemos problemas com as latas de sardinha, era um corre-corre para resolver a situação. Em 30 e 31/10/1997 realizamos o I Seminário de Alimentação Escolar do Paraná, que reuniuprofissionais de todo o Estado e de outros também, tendo sido um momento marcante na vida das profissionais que atuavam no Serviço de Planejamento e Aquisição (nome da Alimentação Escolar na época). Durante os treze anos em que atuei no Setor responsável pela Alimentação Escolar vivenciei muitas situações, mas posso afirmar que os profissionais que lá trabalharam foram sempre muito responsáveis e comprometidos. Dessa época ficou marcado na memória o cheirinho saudável da merenda fresquinha, sendo preparada com amor pelas cantineiras e o rostinho sorridente das crianças, perguntando o que era a merenda do dia. Quanta saudade!!!!! Maria Amélia Kalluf

 

1961 A 1985 MINHA TRAJETÓRIA NA REDE MUNICIPAL

Em 1961, entrei na Prefeitura Municipal de Curitiba, à convite do Professor Moacir Fantin, como estagiária em Educação Física, prestando serviço como recreacionista na Praça Osvaldo Cruz. Mais tarde, passei a ser extranumerária até prestar concurso para Professora de Educação Física em 1967, no qual fui aprovada em 4º lugar. Nesta época, já estava lotada no Centro Experimental Papa João XXIII, o qual foi a primeira escola municipal de Curitiba. Com o decorrer do tempo, atuei em diversas escolas da rede. Em 1983, a convite do então Prefeito Municipal Maurício Fruet, assumi a Diretoria de Educação Física Municipal, na qual junto com a equipe desenvolvemos diversos itens do nosso plano de ação. Dentre os quais podemos citar: Recreio dirigido; Brincadeiras tradicionais; Festas e atos cívicos; Higiene e saúde; Regionalização os jogos inter-escolares das comunidades; Retorno do caráter educativo prioritários no atendimento às necessidades das escolas, centros sociais, urbanos, praças e comunidade. Desenvolvemos, outrossim, o Código da Justiça Desportiva Amadora. Alguns meses após, recebi um novo convite do prefeito municipal, Maurício Fruet. Desta vez, assumi a antiga Diretoria Municipal de Educação, hoje Secretaria Municipal de Educação. Ao assumir, o primeiro desafio, foi montar uma equipe multidisciplinar. Desenvolvemos várias ações em todas as áreas com o slogan: CURITIBA PARTICIPATIVA. Dentre elas podemos citar: Estatuto do Magistério Municipal, um sonho acalentado por todos da classe do magistério municipal; Cursos de aperfeiçoamento em todas as áreas; Eleições diretas para os diretores das escolas municipais, democratizando à escola pelo corpo docente e comunidade; Aumento dos profissionais capacitados para o CAC e salas de leitura; Reforma administrativa com o intuito de aumentar o número de professores auxiliares para regência; Delimitação de número máximo de alunos por turma, sendo vinte e cinco para Pré-escola, trinta para 1ª série e trinta e cinco para 2ª, 3ª e 4ª série; Adoção de uma proposta política: "Política de Educação para uma Escola Aberta"; Garantia de educador e supervisor escolar estarem vinculados na mesma escola. Possibilitando um trabalho mais eficiente destes técnicos e consequentemente um melhor nível de educação; Concurso para professores de 1ª à 4ª série; Concurso para preenchimento de vagas existentes na rede de 5ª à 8ª série, aproveitando os professores já nomeados de 1ª à 4ª série; Gravação em vinil, do hino municipal, interpretado por Bento Mussurunga e distribuído em todas as escolas da rede; Construção de quatro escolas em sistema de mutirão, sendo duas com recursos do Departamento de Educação e duas com o auxílio do departamento de Obras do município; Construção da 1ª Escola Especial Municipal, ALI BARK, idealizada com muito carinho por toda equipe, foi com certeza um marco na educação municipal; Participação em Congressos Nacionais como palestrante, levando a Proposta de Ensino do Município. Nunca na rede municipal de ensino, os professores, foram tão valorizados como na administração do saudoso Prefeito Maurício Fruet, principalmente com a aprovação do estatuto do Magistério. Deixei a Prefeitura no final de 1985 com a sensação do dever cumprido e principalmente muito honrada por ser a primeira professora da rede a assumir a Diretoria Geral de Educação. Rosa Maria Achcar Malheiros.

 

1991 A 1992 — IMPLANTAÇÃO DOS CENTROS DE EDUCAÇÃO INTEGRAL

A implantação dos Centros de Educação Integral começou a ser discutida na Rede Municipal de Ensino no ano de 1990. Nasceu como uma idéia simples e prática de otimizar os espaços educacionais já existentes as escolas municipais construindo, no terreno ainda disponível, um complexo de 03 pavimentos, o que permitiria oferecer aos alunos a ampliação da carga horária de 04 para 08 horas diárias. O trabalho envolveu várias Secretarias Municipais e considerou as regiões de baixa renda e a possibilidade de utilização do espaço já existente. Paralelamente, programou-se um trabalho de discussões com a comunidade para a sondagem de interesse na implantação. Oficialmente, foi criada uma Coordenadoria Especial de Implantação dos CEIs e também uma Comissão Intersecretarial, responsáveis pelo projeto a ser implantado. Mais tarde, essa Coordenadoria Especial foi transformada oficialmente em Superintendência dos Centros de Educação Integral. Naquele momento, intensificaram-se os estudos sobre a escola integral por meio da literatura já existente e de visitas a projetos em desenvolvimento, buscando uma melhor adequação e qualidade à realidade curitibana. Após a decisão sobre os locais dos CEIs, foram iniciadas as construções, realizando-se concomitantemente reuniões com a comunidade em geral para informações contínuas sobre o projeto político-pedagógico a ser implantado. A maior preocupação era com a construção coletiva de uma proposta pedagógica de qualidade, discutida com os educadores envolvidos. Primeiramente, realizaram-se discussões internas na Coordenadoria e na Comissão já mencionadas, reuniões com os demais profissionais das Secretarias Municipais, principalmente com educadores da Secretaria Municipal de Educação, envolvendo equipes internas e das escolas já existentes. Posteriormente, com uma proposta preliminar já elaborada, foram feitas reuniões para debate e ampliação das discussões na Câmara Municipal de Curitiba, na Universidade Federal do Paraná, na Assembléia Legislativa do Paraná, envolvendo educadores da Rede Municipal de Ensino, profissionais das instituições referidas e demais interessados, o que contribui significativamente para divulgar a proposta no âmbito da cidade. Certamente, foi um grande desafio a ser enfrentado: desencontros a serem superados; convencimento dos que preferiam concentrações de investimentos nas escolas regulares já existentes; discussões sobre mudanças significativas nas escolas, quer no espaço físico, quer na construção de uma nova proposta pedagógica; alterações no horário de funcionamento das escolas, o que implicava na reorganização do horário dos professores já acomodados em horários anteriormente estabelecidos; informações permanentes aos pais e à comunidade em geral, em reuniões noturnas; morosidade administrativa pela excessiva burocracia a ser cumprida; identificação do mobiliário e equipamento mais adequados à proposta pedagógica a ser desenvolvida, principalmente pela eliminação das carteiras escolares, substituídas pelos cubos coloridos, com diversas variáveis para uso; construção da agenda com pais e programação com a comunidade; seleção rigorosa dos professores a serem envolvidos, pois o professor que optasse por trabalhar no Centro de Educação Integral não seria obrigado nem precisaria participar de uma seleção prévia; explicação aos pais sobre a obrigatoriedade da freqüência em tempo integral e sobre os benefícios a serem alcançados em prol dos alunos; criação ou adaptação do espaço escolar no qual os alunos fariam o almoço e os lanches com acompanhamento dos professores; e infindáveis reuniões explicativas para os de direito e para todos. Em meados de 1991, com a banda na rua e fogos de artifício, no auge ainda de decisões importantes e discussões calorosas, mas sempre com seriedade, dedicação e grande empenho, fomos partícipes da implantação dos Centros de Educação Integral em Curitiba. Assim nasceu, com honra e pompa, o primeiro CEI de Curitiba, o Centro de Educação Integral Doutel de Andrade, no bairro Boa Vista, com a importante missão de iniciar uma experiência pedagógica diferenciada, que seria referência e oportunizaria posteriormente momentos de reflexão e de reconstrução da proposta dos demais CEIs que foram implantados. No ano de 1992, os Centros de Educação Integral foram estendendo-se para as regiões e, ao final desse mesmo ano, já eram mais de 30 na cidade. AS CARACTERÍSTICAS A Proposta Pedagógica do CEI foi finalizada, em sua versão preliminar, no início de 1992. Foi resultado de construção coletiva, com base na experiência desenvolvida no CEI pioneiro, nas discussões com educadores da Rede Municipal, com consultores especializados em educação integral, com especialista da Universidade Federal do Paraná e sob a coordenação da Coordenadoria Especial de Implantação dos CEIs. Nesse mesmo ano, a proposta pedagógica foi apresentada e defendida no Conselho Estadual de Educação do Paraná, sendo aprovada pelos Conselheiros com louvor e por unanimidade. Essa proposta, na íntegra, está apresentada no documento editado em 1992, com o título de Proposta Pedagógica dos Centros de Educação Integral, e faz parte do acervo bibliográfico municipal. O texto discorre sobre a escola integral que oferta Ensino Fundamental, cuja função primeira consiste em possibilitar ao aluno o acesso ao conhecimento científico e filosófico socialmente produzido e historicamente acumulado, de forma competente e qualificada, tendo o trabalho como princípio educativo. O CEI estruturou o seu trabalho pedagógico no Currículo Básico com previsão para 04 horas de atividade e mais 03 horas de planejamento flexível, constantemente realimentado, abrangendo as diversas formas de linguagem e comunicação. Tomando como parâmetro os desafios da contemporaneidade e buscando a formação do cidadão participativo, a proposta foi pautada em três eixos norteadores: 1. Conjunto Cultural, que implica na reorganização do tempo e do espaço escolar, e ainda na renovação dos conteúdos e métodos de ensino; 2. Síntese de Educação/Instrução, que supõe, além dos conteúdos do Currículo Básico, o trabalho com várias dimensões da cultura corporal, artística, multimídia, ecológica, informática e outras. 3. Nova organização do Programa de Ensino, contemplando conteúdos do currículo e as diferentes formas de cultura propostas no Projeto Cultural. As atividades ofertadas no primeiro pavimento do anexo exploravam o aspecto corporal, desenvolvendo brincadeiras, jogos, todo tipo de recreação, ginástica para alunos e pais, conteúdos da Educação Física, ritmos, danças, músicas. Já no segundo piso, os professores trabalhavam com prioridade todas as formas de expressão e comunicação: literatura, teatro, entrevistas com profissionais, autoridades, pais e mães de alunos de diferentes profissões, as quais eram gravadas e posteriormente registradas pelos alunos, contação de histórias e casos, mímicas, desenhos, pintura, artes em geral. Caso pitoresco foi a transmissão de um programa de rádio local, tendo a própria rádio providenciado todo o equipamento transmissor, com entrevistas a alunos, professores e pais, que aconteceu como programação do CEI Doutel de Andrade. No terceiro e último pavimento, as atividades desenvolvidas versavam sobre tecnologia em geral, mais especialmente sobre informática e aulas de computação. Concluindo, na proposta dos Centros de Educação Integral, o que se buscou foi que, pelo acesso à cultura letrada e pelo domínio do saber sistematizado, fosse oportunizada ao aluno sua formação como sujeito de direitos e deveres, entendendo-se a educação como instrumento básico para o exercício da cidadania. DA COMUNIDADE Um dos graves problemas que atingem o setor público é a depredação. Porém, nem tudo que é de uso comum é atingido pelo vandalismo, como os templos religiosos, as creches comunitárias, as sedes das Associações de Moradores. Esse comportamento coletivo diferenciado deve-se ao senso de prioridades que a comunidade tem em relação a diferentes locais que a ela pertençam ou não. A proposta do CEI pressupõe uma escola da comunidade, e não apenas na comunidade, pressupõe a abertura da escola para atividades afins, que envolvam também jovens e adultos, principalmente no período noturno e finais de semana. Nas comunidades onde o CEI foi implantado, foi proposto um instrumento de pesquisa para identificação das atividades a serem oferecidas para a comunidade, elaborado pela Coordenadoria Especial, em parceria com a equipe da Educação de Jovens e Adultos da Secretaria Municipal da Educação. As principais preferências indicadas pelos moradores foram: oferta de cursos de língua estrangeira, operação de máquinas calculadoras registradoras, manipulação de remédios caseiros, preparação para entrevistas de emprego, interpretação de letra e música, receitas de doces e salgados. Um número significativo de respostas indicou a oferta de cursos profissionais nas diversas áreas do conhecimento. Para atender a essas demandas, foi necessária a articulação da Secretaria Municipal da Educação com as demais Secretarias Municipais, para promoção de cursos, eventos, palestras e outros. O processo de educação permanente encontrou motivação na oportunidade de propiciar às comunidades de jovens e adultos efetiva melhoria de qualidade de vida pelo domínio de novas tecnologias e pelo incentivo do estabelecimento de novas relações sociais. Solange Manzochi — Coordenadora dos Centros de Educação Integral/Implantação.

 

CENTRO DE EDUCAÇÃO INTEGRAL (CEI)

Uma sinfonia construída por muitas mãos, mãos dos que acreditam na ousadia de realizar a melhor escola, de mais qualidade, mais adequada ao pleno desenvolvimento dos alunos em seus aspectos físico, psicológico, intelectual, social e cognitivo. Um sonho coletivo dos que eram capazes de superar limites e dificuldades para antever uma escola sem carteiras, sem muros, sem lições para casa, uma escola pública de período integral, bem organizada administrativa e pedagogicamente, consciente de seu papel social e de seu compromisso com a população. Uma esperança partilhada por muitos dos que creram ser possível a construção de um novo e diferente projeto político-pedagógico para a formação de um novo cidadão, não apenas pela via da apropriação do conhecimento e da cultura, mas pela via da formação humanística integral, movida por valores éticos e crenças e calcada no princípio da eqüidade e da democratização das oportunidades educacionais. Um ideal a ser transformado em realidade pelos que trabalharam na construção de uma escola flexível, desengessada, autodisciplinativa, criativa, lúdica, um espaço para experiências de cultura, de aprendizagem e de vida. Um momento histórico de teses e antíteses, de ganhos e perdas, de unidades e contradições, de avanços e retrocessos, de mesmices e transformações, de consensos e de conflitos... Mas um momento singular, irrepetível, permanente na memória e nos corações dos que emprestaram momentos de vida à implantação dos Centros de Educação Integral no Município de Curitiba. Solange Manzochi — Coordenadora dos Centros de Educação Integral/Implantação.

 

PROJETO CURITIBINHA

Minha contribuição para a educação de Curitiba foi a criação e o desenvolvimento do Projeto Curitibinha, especificamente, a criação do Jornal Curitibinha. Tive a idéia de fazer o tablóide com as crianças e apresentei ao prefeito Rafael Greca, em 1993. O projeto acabou sendo aceito pela Prefeitura de Curitiba e o primeiro lançamento foi o Gibizinho da Fundação Cultural de Curitiba, em 1993, em que o Curitibinha, personagem principal, passava pelos pontos turísticos da cidade. Na seqüência, ele se transformou no Curitibinha Escolar, periódico que era encaminhado durante os meses letivos, para as crianças das escolas municipais, de 1994 até dezembro de 2000. Criei o personagem Curitibinha e, no jornalzinho, eu escrevia, desenhava, editava e diagramava. Foi um projeto importante porque marcou uma geração que hoje eu encontro muitas moças e rapazes na faixa de 20, 23, 24 anos que há 10/13 anos estavam com 8, 9 anos de idade e nas escolas recebiam o Curitibinha. Eles me encontram e falam: — Nossa você é quem fazia o Curitibinha? Eu tenho até hoje os jornaizinhos guardados. Para mim, ver como marcou uma geração de Curitiba é o maior prêmio. O boneco do Curitibinha e os demais personagens da turma, que percorriam as escolas e eventos da prefeitura, foram feitos pelos Irmãos Queirolo, do Circo de Curitiba. Eles também fizeram todo o trabalho cênico de preparação dos atores, que eram professores da Rede Municipal de Ensino. A Secretaria Municipal da Educação recebia pilhas de cartas, em todos os meses, endereçadas ao Curitibinha. Havia sempre uma pessoa incumbida de ler, catalogar e responder às crianças. O projeto foi um marco na minha vida e também muito gratificante. Marcos Vaz.

 

CRIANDO E EFETIVANDO A TELEGRAMÁTICA

Por volta de 1979, 1980, durante o governo do Ney Braga, eu trabalhava na Assessoria Técnica da Casa Civil, no Palácio Iguaçu, e tinha uma colega no Cerimonial, a Beatriz Paciornik, que, freqüentemente, me solicitava esclarecimentos em língua portuguesa. Nessa mesma época, foi publicado, na revista Time, um pequeno comentário sobre um serviço de consultas que havia em Arkansas, Estados Unidos, chamado Grammarphone. Ela recortou a matéria, de no máximo 18 linhas, e me perguntou por que não se propunha um serviço desse gênero aqui no Paraná, em Curitiba. Sinceramente, não dei muita importância à idéia, e a matéria ficou no fundo da minha gaveta. Mais tarde, porém, essa colega voltou a tocar no assunto, e eu disse que iria pensar. Passou-se mais algum tempo e a matéria permanecia na minha gaveta. Um dia, já entre 1980 e 1981, ela me deu um xeque-mate, e acabei escrevendo uma proposta de serviço a ser organizado para atender a consultas em português e inglês – em português pelo telefone – que foi encaminhada ao então diretor da Telepar, o Dr. Renato Johnson. Em 1984, época em que já estava aposentado, numa manhã, o Dr. Joaquim Macalossi, da Prefeitura de Curitiba, ligou-me perguntando se eu estaria interessado em implantar a proposta que fora enviada para a Telepar. Fiquei admirado e questionei: - Mas por que eu? Porque eu tive a idéia? Tem gente muito mais competente em Curitiba pra montar e desenvolver um serviço desses. E ele me respondeu: - Entramos em contato com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFPR, mencionamos o seu nome, acharam muito bom e o professor Eurico Back aprovou a indicação. Em novembro daquele mesmo ano, assumi na prefeitura a incumbência de fazer o serviço acontecer. Comecei a escrever o que seria uma norma, um regulamento, uma diretriz de trabalho, material que nunca, de fato, foi aprovado pela prefeitura, somente quando a Telegramática passou para a Secretaria Municipal da Educação, que incorporou o projeto. Houve ainda o trabalho de recrutar os professores, pois como o serviço iria funcionar sem o corpo de atendimento? Lançamos um convite para professores da Rede Municipal de Ensino interessados em compor a equipe de consultores que atuaria na Telegramática. Fizemos provas, porém, fiquei preocupado com o resultado, pois ninguém apresentou o desempenho que eu esperava. Como alguns profissionais demonstraram condições de evoluir a partir do potencial demonstrado no teste de ingresso, pudemos organizar a Telegramática. Naquela época, escrevi um roteiro de como o professor deveria atender ao telefone, pôr-se à disposição e perguntar alguns dados, como, por exemplo, a natureza da pergunta, se escolar ou profissional. Isso foi interessante porque conseguimos ter um perfil da nossa clientela. Chegamos a saber que até juízes ligavam para nós. Lembro-me de uma vez que atendi um juiz solicitando a interpretação de uma legislação. A Telegramática efetivamente começou com os professores no dia 1.º de fevereiro de 1985. Eram duas turmas de professores: três pela manhã e três à tarde. As consultas eram atendidas em rodízio, ou seja, os telefones tocavam e, em seqüência, eram atendidos pelos consultores. No começo, foi uma montagem de serviço na base da boa vontade. Enquanto a prefeitura não comprava a bibliografia que eu tinha estabelecido como básica para a Telegramática poder funcionar, contribuí com livros da minha casa. Não tínhamos sequer um “Aurélio” em cada mesa. À medida que o tempo foi passando, os colegas perceberam nossa carência e foram contribuindo também com a montagem da nossa biblioteca de emergência. A primeira compra de livros só aconteceu na metade do primeiro ano. No início, eu tinha uma preocupação muito grande de demonstrar para a administração o volume e a qualidade do serviço. Montei então um registro de área de atendimento de consultas e estabeleci praticamente como norma o seu preenchimento pelos professores. A cada consulta, eles deveriam anotar como atenderam, o que foi perguntado, a solução para a questão apresentada e, inclusive, as perguntas que não eram atendidas no ato. A nossa idéia era sempre de rapidez no atendimento, não deixar o cliente esperando por soluções. Ao final dos meses, tínhamos uma estatística muito interessante a respeito dos consulentes, da quantidade e da natureza das perguntas e do percentual das consultas prorrogadas, que era muito baixo, de 5 a 6% apenas. Trabalhei na Telegramática de 1984 até o começo de 1992. Quem me sucedeu como segundo coordenador do serviço foi o professor Emílio Gaudeda. Sob sua coordenação é que a Telegramática passou à administração da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba. Na mesma época em que fui trabalhar na prefeitura, tomei conhecimento, por meio de uma matéria da Revista Veja, de um serviço parecido com o nosso em Fortaleza, Ceará. Escrevi para eles solicitando elementos, mas não obtive resposta. Na verdade, a metodologia criada para a Telegramática, totalmente pioneira, não se baseou em nenhum exemplo. Luiz Gonzaga Paul.

 

A REDE MUNICIPAL DE ENSINO TEM MÚLTIPLOS SIGNIFICADOS

Sou professor de História na Escola Municipal Augusta Glück Ribas e quero deixar registrado que, para mim, a Rede Municipal de Ensino tem múltiplos significados: 1. sobrevivência: relacionada ao meu trabalho, visando à remuneração; 2. aprendizado: o gosto da descoberta de novos conhecimentos através de cursos e palestras; 3. coexistência de múltiplos indivíduos; 4. comunidade de informações: uma vez que a maioria dos funcionários da RME é graduada em diferentes áreas, é enorme o fluxo informacional, inclusive entre os funcionários enquadrados em escolaridades inferiores à graduação. Enfim, a RME significa um ponto de encontro para novas amizades, quem sabe um espaço para achar a cara-metade, ou até mesmo para encontrar desafetos. Jackes Alves de Oliveira

 

FIQUEI MUITO FELIZ EM CONHECER ESTE PROJETO QUE RESGATA A MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO

Fiquei muito feliz em conhecer este projeto que resgata a memória da educação de nossa querida Curitiba. Entrei na Rede em 1988 e assumi a monitoria da EBJA. Em 1992, fui trabalhar na coordenação dos CEIs. Nessa época, fiz a cobertura com fotos das inaugurações e em seguida montei um histórico de cada escola. Precisamos resgatar também este documento, que será muito importante para a próxima etapa do livro da memória. Trabalhei na Alimentação Escolar por vários anos e tenho muita saudade daquela equipe tão amiga e simpática que participou comigo de todos os preparativos do meu casamento. Gostaria muito de rever as meninas da merenda e dar um grande abraço em todas. Agora estou na Escola Jardim Santos Andrade, colaborando com a educação dos novos cidadãos curitibanos. Dinacir Lucia Favoretto

 

QUANDO CHOVIA, LEVÁVAMOS UM PAR EXTRA DE SAPATOS PARA USAR EM SALA DE AULA

O início foi lá no Grupão. Íamos de Kombi, juntamente com o Antonio – deficiente visual, que às vezes encontro pelo Batel. Ele não me reconhece mais porque talvez minha voz tenha ido embora da sua memória e ele não tem a imagem... Como a lama era muita, quando chovia, levávamos um par extra de sapatos para usar em sala de aula. Os alunos amam professores que se cuidam... Pela minha audácia – sempre fui "adiantada" no tempo e sofri com isso, mas caminhei muito mais que outros que se escondiam diante dos desafios –, fui colocada para trabalhar com a Escolinha de Artes. Eu adorava! Claro que o conceito era outro, mas fazia o que podia, dava o máximo de mim. Depois fui para a Escola São Braz, "novinha em folha". Lá trabalhei também com artes, no Centro de Criatividade. O nome havia mudado, as atividades eram mais elaboradas e os alunos amavam o horário da liberdade, da criatividade, da explosão da alma, colocando para fora seus fantasmas. Eu sempre promovia exposição dos trabalhos, então eles caprichavam mesmo. De tanto que eu gostava, participava sempre dos cursos ofertados para aprender mais e repassar aos alunos.Tempo maravilhoso. Tudo que tenho de melhor na área da educação veio pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Foram cursos com profissionais de alto gabarito. Fui a todos em que consegui me inscrever. Um dia, eu estava sentada com os alunos em atividades e olhei pra trás. Lá estava o Saul Raiz, vivenciando a escola, dando seu apoio. Alguns diretores tentaram colocar em mim "amarras", outros me ajudaram a ir mais alto em meus vôos. Aprendi muito e briguei muito por tudo em que acreditava e que podia acontecer dentro de uma sala de aula. Em 1976, fui para a Albert Schweitzer. Nossa! Como eu penei! De imediato me deram uma 8.ª série. Ninguém queria essa série, era a mais difícil de lidar. Os alunos não eram adultos, mas pensavam que eram, e as atitudes não combinavam com suas idades. Eu havia terminado a faculdade e estava "crua". Minha mãe conta que eu almoçava chorando. Chorava muito, e lia e estudava muito. Nesse tempo, fui escolhida muitas vezes professora conselheira. Mesmo diante de minhas exigências para que tudo ficasse perfeito, os alunos me escolhiam. Muitas vezes, minhas três turmas me queriam e eu tinha que, lamentavelmente, fazer um sorteio. Sou feliz por saber que fiz minha parte e que hoje os alunos atravessam a rua para falar comigo, e não para desviar e não me olhar nos olhos. Saí de sala de aula para ser Coordenadora de Comunicação e Expressão. Nossa! Superei-me. Com a ajuda dos alunos e de suas famílias, conseguimos ter um armário cheio de coleções de livros para as Aulas de Leitura. Era lindo ver os professores levarem aquelas pilhas para que os alunos lessem. Depois dessa temporada, fui chamada para dirigir, administrar escolas. Não foi meu melhor período. Os tempos eram outros e eu queria que as pessoas todas que estavam envolvidas com a escola dessem o melhor de si para aqueles alunos carentes de muitas coisas da vida. Sabia que precisávamos ser "de tudo um pouco" na escola, e muitos não assumiam o compromisso. Enfim, fui voar em outros ares. Porém foram os melhores anos de minha vida dentro de escola. Podíamos trabalhar e trabalhávamos muito, mas valia a pena. O que lamento: quando nos aposentamos, estamos literalmente mortos. Mesmo sabendo que a faixa etária de longevidade no Brasil tenha ampliado muito, não somos reaproveitados... Mas eu poderia dizer àqueles que estão "chegando": EDUCAR É UM PROCESSO COM SALDO POSITIVO, fique e deixe sua marca também. Hoje, felizmente e com muita alegria, colaboro com a educação atuando em cursos de pós-graduação. Amo entrar em sala de aula, aquele "cheiro" de escola mexe muito comigo. Se eu nascesse de novo, seria de novo professora. Educar é o que eu sei fazer de melhor. E ainda estou aprendendo, e como! Eu digo sempre: morro de saudades dos meus alunos, ser professora está impregnado, tatuado em mim, para sempre! Só posso agradecer pelo aprendizado que recebi na Rede Municipal de Ensino de Curitiba. OBRIGADA! OBRIGADA! OBRIGADA! Edna Galdino

 

QUERO DIZER QUE É COM GRANDE EMOÇÃO ...

Quero dizer que é com grande emoção, com muita saudade e com imenso prazer que vou dar minha contribuição ao Projeto Memória, mesmo estando longe do nosso querido país. Eu tinha ingressado na RME em 1974 e estava atuando como professora da 2.a série na Escola Municipal Maria Clara B. Tesserolli quando fui indicada, pela professora Maria Marli Piovezan, para a direção da Escola Municipal D. Lula, indicação aprovada pela SME. Como a Escola D. Lula estava sendo construída, eu e a secretária Adenir fizemos a matrícula dos primeiros alunos na garagem da casa do vizinho da frente, que muito gentilmente nos cedeu esse espaço. Passávamos o dia todo falando com a comunidade, fazendo a divulgação da escola. No final do dia, eu levava para minha casa alguns documentos e pedia que esse vizinho guardasse outros em sua casa, até o dia seguinte. Na inauguração, a escola possuía somente três salas de aula. Houve um ano em que nós fizemos uma homenagem especial para a D. Lula, que morava no Uberaba, perto da Escola Estadual Salgado Filho. Izolde Amadori Lima

 

FUNCIONÁRIA DA RME HÁ MAIS DE 20 ANOS, PRIMEIRO COMO ZELADORA E DEPOIS COMO INSPETORA

Sou diretora da Escola Municipal São Miguel e quero contribuir com o Projeto Memória apresentando este pequeno histórico sobre uma família cuja ligação com a nossa escola é bem significativa. Virtuosa Lopes Garbo, funcionária da RME há mais de 20 anos, primeiro como zeladora e depois como inspetora – nessa segunda função, inclusive, adquiriu uma rouquidão crônica – é um exemplo de dedicação ao trabalho e à escola. Não só de dedicação, mas de confiança no ensino oferecido, pois os seus quatro filhos – Eliana, Solange, Lucélia e Luciano – fizeram o ensino fundamental na São Miguel. O Luciano já constituiu a própria família, e seu filho, Mateus, atualmente é nosso aluno, cursando a 6.ª série. A Solange, por sua vez, continuou os estudos, chegou à faculdade e hoje é pedagoga da Escola Municipal Moradias do Ribeirão. Eliana e Lucélia também têm vida profissional estável, graças à própria competência e aos primeiros "empurrõezinhos" dados pelas professoras da Escola Municipal São Miguel. Elizabeth Flemming

 

A ESCOLA ESTAVA SENDO CONSTRUÍDA, E FAMÍLIAS IAM OCUPANDO NOVAS RESIDÊNCIAS

Fomos pioneiras da Escola Municipal Omar Sabbag, no ano de 1973. Temos uma saudade imensa daqueles tempos nostálgicos de juventude trabalhando em prol da Educação Curitibana. Porém, a história foi se desenrolando, e a maior luta e ousadia por que passamos foi com o grupo que, em 1979, fundou a Escola Municipal Érico Veríssimo.Vamos a ela. A escola ainda estava sendo construída, e famílias iam ocupando novas residências nos arredores. Para que os estudantes não ficassem sem aulas, ficamos alguns meses ocupando salas de uma escola estadual que ficava num bairro próximo. Mais tarde, fomos deslocados para o salão de bailes do Conjunto Eucaliptos. Nesse local, antes de iniciar o período letivo, limpávamos o banheiro, juntávamos latas, papéis e tudo o mais que sobrava das festas realizadas anteriormente. Parabéns para nós: Indianara, Maria Rita, Celecina, Maria do Socorro e Soeli. Fizemos Educação e também História. Soeli Terezinha Ferenc

 

ATÉ HOJE ME LEMBRO DAS SALAS, DAS PORTAS-JANELA, DO RELÓGIO-PONTO...

Minha tia Bernardete Fadanelli Bevervanso trabalhou como professora na Júlio Moreira desde a fundação da escola até a sua aposentadoria. Eu não estudei na Júlio porque morava distante dela, nas Mercês, mas adorava quando podia ir trabalhar com a Tia Dete. Até hoje me lembro das salas, das portas-janela, do relógio-ponto, do cheiro que tinham os armários. Mais tarde, quando fiz Magistério, meu estágio, é claro, foi na Júlio Moreira. Engraçado que, dessa época, lembro pouco da escola. Estou na Rede há 21 anos, nos últimos cinco, aqui, na Júlio. Quando assumi a vaga de pedagoga, comentei essa história com meu marido, e ele disse: Viu como a gente precisa sonhar alto? Pode ser que o sonho se realize... Elaine Esmanhotto Bareta

 

E SE A REDE QUISESSE NOS FAZER DE NOVO ALUNOS... EU IRIA ADORAR

Olá, pessoal! Hoje, recebi um telefonema da Etiene me convidando para o lançamento do livro Memória da Rede Municipal de Ensino de Curitiba. Que bom estar incluída. Mas forte emoção mesmo foi ler o depoimento da Regina Célia da Silva Lisboa, no qual diz que gostava das minhas aulas de Português. E sabem que os alunos gostavam mesmo? Sempre dei o melhor de mim para eles, sem distinção. Se aprenderam? Acredito que sim, inclusive a serem mais alegres, porque é assim que sou até hoje, agora com os meus alunos de pós-graduação. Meus alunos serão sempre os meus alunos, porque professor é "possessivo", toma conta e por aí vai. Saudades dos alunos... Sabem que tenho caixas com bilhetes de alunos? Sou assim, gosto de uma sala de aula. Agradeço pelos alunos que tive e tenho. De tudo que aplico nas salas de aula por onde passo, muito aprendi nos cursos ofertados pela Rede Municipal de Ensino. Estivemos com grandes mestres da Educação. E se a Rede quisesse nos fazer de novo alunos... eu iria adorar. Obrigada!!! Edna Galdino

 

A DIREÇÃO PASSA A TODOS A CONSCIENTIZAÇÃO DE QUE A ESCOLA É NOSSA

Logo que assumi o meu padrão na RME, em 1994, fui dar aula na Escola Municipal Mansur Guérios. Lembro-me bem da dificuldade para chegar até a escola. Pegávamos o ônibus Vila Marisa, e, como não havia asfalto, o ônibus vivia sujo, tínhamos que levar uma toalhinha para limpar o banco antes de sentar. O bairro era de invasão. Havia casas de lona, mas a maioria delas era meia-aguinha. A fama do bairro não era das melhores, porém uma coisa me deixava tranqüila por trabalhar lá: todos os moradores respeitavam muito os professores, eles valorizavam nosso trabalho e passavam para os filhos a importância que o estudo tinha para o futuro deles. A escola tinha e tem até hoje um rodízio muito grande de professores, não que a escola seja ruim, mas é distante do centro da cidade, e os professores procuram escolas mais próximas de suas casas. Saí do Mansur, fui para outras escolas e hoje voltei ao Mansur, para fazer RIT. Tudo mudou muito: as casas, as pessoas e a escola. Entretanto, a escola tem um ambiente físico extremamente agradável, onde alunos, professores e funcionários colaboram na limpeza e na organização e possuem consciência ecológica. A direção passa a todos a conscientização de que a escola é nossa, por isso devemos amá-la, respeitá-la e, para que possamos sempre tê-la, PRESERVÁ-LA. Regina Célia da Silva Lisboa Rosa

 

INICIEI MINHAS ATIVIDADES NA ESCOLA MUNICIPAL ROLÂNDIA, EM 1980

Emociono-me demais ao ler a Memória da Rede Municipal de Ensino. Iniciei minhas atividades na Escola Municipal Rolândia, em 1980, era um tempo muito bom. Tive o grande privilégio de conviver com pessoas maravilhosas, profissionais competentes, em um ambiente onde havia grande união, união esta que nos faz, após 26 anos, nos reencontrarmos em lanches para reviver nossos maravilhosos momentos. Na Escola Rolândia, a ética, os valores morais, o companheirismo foram marcantes. Posso afirmar que, durante 12 anos, fui muito feliz. Apesar de atravessarmos crises no sistema educacional e algumas vezes crises internas, o melhor havia: solidariedade entre o grupo e entre as crianças. Aprendi muito com alguém que nos deixou muito cedo, para mim um exemplo de profissional, sou fã e serei eternamente grata por tudo que ela me ensinou... Quanta saudade de você, Maria Marli Piovesan. Em 1992, fui convidada para inaugurar a Escola Municipal Vereadora Laís Peretti, onde fiquei na direção de 1992 até 1999. Foi uma construção de novas amizades, uma reelaboração da estrutura curricular, e novamente as mudanças vieram e nós conseguimos certamente acompanhar essa evolução. Foi outro tempo maravilhoso em minha vida, nossas festividades, nossas homenagens, nossos encontros com os pais, nossos maravilhosos professores, os quais ainda estão muito presentes em minha vida. Em 2000, assumi o setor pedagógico, enfrentando mudanças que foram gradativamente implantadas, e nós ficamos, de um modo geral, sedentas pela mudança, porém com medo, afinal o desconhecido nos causa esse certo medo. Foi preciso muito estudo, muitas reuniões para que pudéssemos nos reorganizar. Na Escola Laís Peretti, permaneci por 14 anos e, hoje, quando vou a lojas, mercados, ou mesmo na rua, percebo que alguns jovens me olham, vêm até a mim e perguntam: Você não era a diretora da Escola Laís Peretti? Eu sou a fulana, ou sou o fulano. Esses são meus filhos, e percebo que o tempo passou muito rápido. Hoje, coordeno a Rede de Proteção da Regional Pinheirinho, um trabalho diferente, para o qual encontrei apoio. Fui muito bem recebida, convivo com equipes maravilhosas, firmamos uma grande parceria, uma aliança tríplice: Educação, Saúde e FAS em prol do que é mais importante neste Universo: O respeito e o cuidado pela VIDA. Lis D´Amico

 

A E.M. JARDIM EUROPA FAZ PARTE DA HISTÓRIA DA MINHA FAMÍLIA

Há mais ou menos 25 anos, no bairro do Xaxim, havia poucas escolas, e as crianças em geral precisavam andar muito ou até mesmo pegar ônibus para chegar a elas. Os moradores não estavam satisfeitos com essa situação e questionavam sobre isso nas reuniões do Centro Social, do qual eu participava, e nas igrejas da região. Então, surgiu a idéia de um abaixo-assinado solicitando mais uma escola na comunidade. Como na época meus três filhos ainda eram pequenos e eu também achava de suma importância uma escola mais próxima para eles e para as demais crianças da redondeza, e como eu ainda não trabalhava fora, prontifiquei-me a visitar as famílias da região solicitando que assinassem o documento, que depois foi encaminhado ao então vereador do bairro João Derosso, o qual demonstrou interesse pelo problema e o levou ao conhecimento do prefeito Saul Raiz. No ano de 1982, comecei a trabalhar como cantineira na Escola Municipal Jardim Paranaense. Para chegar lá, pegava quatro ônibus, saía de casa por volta das seis horas da manhã. No mesmo ano, iniciou-se a construção da Escola Municipal Jardim Europa, que, por coincidência, foi construída em frente à minha casa. Solicitei então a minha remoção para essa unidade. Em fevereiro de 1983, iniciaram-se as atividades escolares, com as secretárias e algumas professoras, eu e minhas companheiras de trabalho, Romilda e Leonor, sob a direção da professora Yvelise Pereira Valim. Em março, iniciaram as aulas, e eu e minhas companheiras fazíamos diariamente lanche para aproximadamente 350 crianças pela manhã e à tarde, dentro da própria escola. Em 1998, chegou à escola a terceirização, com a Empresa Risotolândia, e com isso a separação do trio de cantineiras que estavam juntas desde 1983. A Romilda foi para a Escola Paranavaí, a Leonor, para um Posto de Saúde, e eu permaneci na escola na função de copeira, onde estou até hoje. Sou a funcionária mais antiga da escola e ganhei o carinhoso apelido de Lurdinha. Em 1984, a minha filha Vera Cristina Araszewski do Vale, entrou para estudar na escola, casou-se com um ex-aluno e, em 2002, começou a trabalhar como professora no Jardim Europa, onde seu filho Kaio Vinícius do Vale, meu neto, também estuda. No ano de 1993, minha outra filha, Sandra Regina Araszewski, entrou para trabalhar como professora na escola e, em 2006, assumiu a direção. A história da Escola Municipal Jardim Europa faz parte da história da minha família, por isso todos nós temos um carinho muito grande por ela e juntos lutamos por uma educação de qualidade. Maria de Lourdes Novakowski Araszewski

 

O ENCANTO DO MUNDO DO CONHECIMENTO

Fui aprovada no Concurso da PMC em 1996. Na escolha de vaga, optei pela Regional Boa Vista e fui encaminhada para atuar na Escola Municipal Theodoro de Bona. O equipamento, nessa época, tinha cinco turmas e um ambiente que favoreceu o desenvolvimento profissional. Tive a oportunidade de atuar na disciplina de Educação Ecumênica, voltada para indagações, valores, posicionamentos e manifestações culturais. Como todo profissional, participei do remanejamento e, no ano seguinte, fui atuar na Regional Bairro Novo, no CAIC Guilherme Braga. Comecei com uma 2.ª série, que tinha 38 alunos. A organização administrativo-pedagógica proporcionava integração no colegiado, aconteciam vários momentos diversificados e oficinas alternativas que procuravam sanar as dificuldades apresentadas no decorrer no ano letivo. Foi muito importante para minha formação acadêmica o convívio com a realidade local. Em 1998, participei do Processo de Remanejamento e consegui a primeira opção – Escola Municipal Piratini. Conquistei meu espaço enquanto sujeito da aprendizagem. Os alunos e a comunidade acrescentaram ao meu currículo. Durante quatro anos, trabalhei em todas as salas, desenvolvi uma visão holística, aprendi a ouvir e a reconhecer os pontos positivos. O erro contribuiu para os avanços, as diversidades se transformaram em degraus, rumo ao sucesso e à vitória do dever estabelecido nas metas.Trabalhei durante quatro anos neste pólo dinâmico, venci barreiras pessoais e profissionais, mas fui feliz e atingi quem precisava. Deixei indagações e fortaleci idéias. Em 2001, tentei fixar vaga numa escola próxima à minha moradia (Regional Boa Vista). Existiam prioridades pessoais na época, e vim participar do grupo do CEI Doutel de Andrade, afinal é preciso conhecer o funcionamento do Centro de Educação Integral. É maravilhoso o despertar da criança, aquele educando que você acompanha é sujeito inovador, pesquisador, desconhecidos tornam-se amigos. Atualmente estou no Núcleo Regional da Educação Boa Vista, como coordenadora de Recursos Humanos dos Centros de Educação Infantil e Projetos PIÁ. Quando a oportunidade surgiu, visei à formação acadêmica, seria outro contexto, tanto que estou realizando o Mestrado com tese definida em Gestão Profissional (Empreendedor). Espero que tenha expressado, neste memorial, um pouco da magia e do encanto pelo mundo do conhecimento. Samara Aparecida Lorusso

 

ESCOLA MUNICIPAL PAPA JOÃO XXIII TEVE O MERECIDO RECONHECIMENTO DO SEU TRABALHO

Começarei meu depoimento fazendo um breve relato sobre a relação entre o trabalho incansável, silencioso, organizado e disciplinado das abelhas em suas colméias e o trabalho dentro das escolas, onde todos se unem, participam e colaboram para um aprendizado de qualidade, imbuídos do espírito de compromisso e responsabilidade, no objetivo de valorizar a escola pública municipal democrática e de qualidade. Esse objetivo torna o ensino público competitivo no contexto social, fazendo com que os alunos saibam exercer seus direitos de cidadãos em busca de sua real cidadania. Devido a uma luta e união incansáveis, as abelhas têm por resultado um mel puro e de qualidade, assim também a Escola Municipal Papa João XXIII teve o merecido reconhecimento do seu trabalho de equipe de ponta, sendo considerada, atualmente, a melhor escola pública do País. Para que essa entidade escolar fosse hoje reconhecida, todos os seus funcionários sempre tiveram uma visão pedagógica diferenciada no desenvolvimento do aprendizado. Não só foi trabalhando na assimilação dos conteúdos formais de qualidade, mas procurando outras estratégias extracurriculares, aproveitando as datas comemorativas inseridas no calendário escolar, ocasiões em que todos os professores de áreas específicas davam suas contribuições para que houvesse um bom resultado. Além da comunidade escolar, havia a colaboração da família e comunidade em geral, através da APPF. Os projetos extracurriculares trabalhados eram: Dia das Mães, Festa Junina, Festival do Folclore, Dia dos Pais, Festa da Primavera, Comemoração do Dia dos Professores, Festas Natalinas, Encerramento do Ano Letivo e Grêmio Estudantil. Sabemos que essas datas são comemoradas atualmente também, mas ressaltarei a diferença de métodos utilizados na época. No projeto específico da comemoração do Dia das Mães, foi realizado, em conjunto com a comunidade e família, um grande desfile com a colaboração da Butique Miloka, que emprestou suas roupas e acessórios e sua maquiadora, e os manequins foram os próprios professores e funcionários da escola. Ao final, um lanche foi oferecido pela APPF. Como os recursos da mantenedora eram precários, a escola uniu-se com a comunidade, família e alunos, arrecadando fundos para promover uma grandiosa festa junina aberta para a comunidade, com lucros revertidos em benefício dos alunos carentes. O Concurso das Sinhazinhas foi o ponto alto da festa, tanto em emoção como em arrecadamento de fundos. Outro projeto de grande porte, que envolvia a família e a comunidade, era o do Festival Folclórico, cujas apresentações, realizadas fora da escola, no Espaço Cultural do Portão (Muma), atraíam multidões. Nesse projeto, os trajes típicos e todo o material eram confeccionados pelos professores e pais, com o objetivo de desenvolver talentos e habilidades individuais, através da música, dança e teatro. Saindo do ambiente escolar, era realizado, no mês de setembro (aniversário da escola), o concurso Rainha da Primavera, com desfile das candidatas no Clube Literário do Portão. Foi evento de sucesso porque teve a colaboração dos professores, pais e comunidade na organização de faixas, arrumação das mesas no clube, etc. No final do concurso, houve um grande baile. Uma brincadeira gostosa e muito sadia do Dia dos Professores era a inversão de papéis. As peças teatrais, em vez de serem dos alunos para os professores, eram representadas pelos mestres para os alunos. O objetivo dessa comemoração era mostrar o lado humano dos mestres e aproximá-los mais de seus pupilos, o que em sala de aula era mais restrito. Também desenvolvia habilidades e potencialidades dos professores, surpreendendo muita gente. Na época, os métodos e objetivos de Educação Física eram diferentes. O que sobrou de positivo, foram os grandes jogos entre escolas, em que se revelaram muitos atletas. A escola sobressaiu no handebol, mostrando alunos em potencial. Aproveitando o objetivo, foram realizados campeonatos de vôlei entre os professores e torneios de futebol entre os pais, alunos e professores. Nos sábados à tarde, para integração entre alunos, professores e família, eram realizados os "famosos saraus" dançantes, sob a responsabilidade dos professores e o auxílio dos alunos. Não havendo, na época, centros especializados para o atendimento de alunos com dificuldades motoras, de aprendizado e psicológicas, a escola realizava, aos sábados à tarde, atividades visando a esses atendimentos, principalmente para crianças carentes. Tais atividades envolviam trabalho em argila, desenho, recorte, colagem, pintura, teatro, dobraduras, etc. Esse trabalho envolvia a Unidade de Saúde, através da assistente social, do médico e do psicólogo. A escola também possuía um gabinete dentário para o atendimento dessas crianças. Além desses projetos, foi fundado o Grêmio Estudantil Papa João XXIII, em virtude do direito de representatividade ativa e organizada dos alunos. Entendíamos a importância de preparar liderança política entre pares. Para isso, contamos com a ajuda da UNE, Grêmio Estudantil do Colégio Estadual do Paraná, palestras de políticos, professores e demais funcionários da escola. Nessa época, foi elaborado o Estatuto do Grêmio Estudantil (década de 70). A participação dos alunos foi muito boa, com responsabilidade e compromisso, e marcou definitivamente a história da escola. Professora Terezinha de Jesus Brunatto Carmello

 

A HISTÓRIA DA E. M. ALBERT SCHWEITZER ESTÁ INTEIRAMENTE RELACIONADA AO BAIRRO ON

A história da E. M. Albert Schweitzer está inteiramente relacionada ao bairro onde se localiza e também a um contexto do Brasil. Em 1966, o governo militar criou o Banco Nacional de Desenvolvimento para financiar grandes obras. No mesmo ano, a Prefeitura de Curitiba, através da Cia. de Urbanização, conseguiu financiamento para a construção de habitações populares, e, em dezembro, começaram as obras da Vila de Nossa Senhora da Luz. A notícia da construção do primeiro conjunto habitacional no Brasil para famílias com renda mensal de até três salários mínimos teria atraído a Curitiba muitos grupos pobres de todo o país em busca da casa própria. Para atender as crianças que vieram com seus familiares, foram construídas escolas, entre elas a Albert Schweitzer. Com a finalidade de resgatar o valor dessa escola construída para atender os moradores do primeiro conjunto habitacional do Brasil, os estudantes pesquisaram as alterações sofridas pelo bairro nos últimos 40 anos e pretendem fazer um levantamento sobre os ex-alunos e o destino de cada um deles, enfatizando aqueles que conseguiram ingressar no ensino superior ou passaram em concursos públicos. A intenção é estabelecer uma relação entre aqueles que deixaram e os que ainda se encontram nos bancos escolares para que os primeiros sirvam de incentivo aos segundos, e também desenvolver nos estudantes a consciência de que freqüentam uma instituição que tem história e participação na comunidade. Professora Rosemary Ribas Bertaia

 

EM 1973 INGRESSEI COMO PROFESSOR NA ESCOLA MUNICIPAL ALBERT SCHWEITZER

Fiquei muito feliz ao tomar conhecimento do empenho da Secretaria da Educação de Curitiba em resgatar a memória da Educação no Município. Minha relação com ela se reporta a 1973, quando ingressei como professor na Escola Municipal Albert Schweitzer. Iniciei atuando no período vespertino, mediante convite formulado por uma colega, amiga da professora Heloina Greca. Recém - formado (havia concluído o curso de História Natural em dezembro de 1972, na UFPR), todo empolgado, atuei durante o ano todo como professor de Ciências. Lembro que enriquecia minhas aulas com práticas utilizando peixes pescados pelos alunos no Rio Barigüi, ou vermes parasitos fornecidos por um frigorífico de cavalos, muito conhecido na época por exportar carne ao Japão e que ficava nas imediações da escola. No final de 1973, fiz concurso (diga-se de passagem, muito rigoroso, pois, além da prova escrita em conhecimentos específicos, incluía uma de conhecimentos pedagógicos e uma aula, ministrada em sala normal de escola do Estado). Assumi tal padrão na Escola Municipal Papa João XXIII, no ensino regular, período noturno, nela permanecendo até a aposentadoria, há três anos. Na Papa, tive a oportunidade de participar do início de implantação do ensino regular de 5ª. a 8ª. Série. Todos nós praticamente, estávamos iniciando nossa vida profissional, com grande empolgação. Lembro da eficiência do funcionamento da escola, integrada ao núcleo comunitário, destacando o papel da Dra. Dagmar Gevaerd, na área da saúde, e da Vitória da Cruz (assistente social), que faziam juntamente com a direção da escola um triunvirato de eficiência ímpar. A Tânia Brandt e a Joana Paulin na supervisão investiam toda sua credibilidade, tentando colher o maior número de frutos. Atuei com mais intensidade à noite, inclusive acompanhando toda a transição do ensino regular para o supletivo. Alguns eventos se tornaram marcantes por longos anos consecutivos, como o Festival Folclórico, os desfiles de 7 de Setembro, as apresentações de Língua Portuguesa, as feiras de Ciências, o Baile da Garota Papa João XXIII, entre outros. Este último se tornou um evento social que mobilizava toda a sociedade local, aguardado com muita ansiedade e disputado pelas mais belas participantes estudantis. Lembro do empenho de cada turma e professor em preparar apresentações contemplando o folclore, que se estendiam muitas vezes por quase uma semana. As apresentações que envolviam Língua Portuguesa eram um evento que sempre vinha recheado de luzes multicoloridas, para um efeito mais retumbante, e que colocava os candidatos diante de um grande aprendizado: expor-se em público, o que acabava se tornando uma rotina. As feiras de Ciências, que mais me diziam respeito, mobilizavam também toda a comunidade. Coroávamos o evento, no Parque São Lourenço, com os estudantes se esmerando em repassar aos visitantes seus experimentos, acompanhados dos pais e demais familiares, orgulhosos de seus pupilos. O Dr. Coriolano sempre se empenhou muito em relação a Ciências, tanto é verdade que, com muita freqüência, nos reuníamos em finais de semana para cursos de aperfeiçoamento, sem nos preocuparmos com “dias em haver”. Como a escola tinha que se empenhar muitas vezes em angariar recursos, fazíamos as famosas “soirées” aos domingos à tarde, nas quais a garotada se divertia sob os olhares atentos dos professores – Isso é que nos permitiu adquirir o primeiro microscópio, motivo de orgulho geral e em especial de nós, professores de Ciências. Não posso deixar de mencionar o papel desempenhado pelas atividades práticas, representadas pelas técnicas (comerciais, industriais e domésticas). Lembro da batalha da professora Diva de O. Santos para consertar os livros danificados da biblioteca, associada ao aprendizado da técnica. Outra atividade ligada às técnicas industriais dizia respeito às criações com cerâmica, cujas obras de arte produzidas pelos alunos eram orgulhosamente expostas, com organização germânica, por parte da Professora Leoni. Também gostaria de destacar o empenho dos estudantes do noturno nas técnicas comerciais, ministradas pelo professor Fernando, esmerando-se para que os nossos alunos pudessem galgar melhor emprego com os novos conhecimentos adquiridos. O que dizer então das festas juninas – era um acontecimento que mobilizava toda a comunidade. Era um esmero coletivo, e a participação era geral. Tanto as famílias quanto os professores, os demais funcionários, etc. se envolviam de modo prazeroso. Entre todos esses momentos agradáveis e marcantes, não posso deixar de mencionar os famosos testes unificados – grande desafio do Dr. Coriolano, que logo foi arquivado, para alívio geral. Não posso deixar de destacar também a não menos famosa ficha de avaliação, criação de um grupo de pedagogas, cujo multicolorido azul, verde, vermelho e preto a tornava algo estonteante, tanto para quem preenchia quanto para quem analisava. Paralelamente, durante o dia, trabalhava em uma instituição particular até o início da década de 80, quando fiz concurso na UFPR (departamento de Botânica do Setor de Ciências Biológicas). Fui aprovado e passei então a me dedicar à Pós-Graduação, paralelamente ao padrão da Prefeitura. Fiz o mestrado no próprio Departamento e o doutorado na USP, com uma bolsa sanduíche de três meses em Londres. Concluí o doutorado em 1993 e, a partir daí, passei a atuar na Pós- Graduação da Botânica da UFPR, tanto como professor e coordenador por duas gestões, bem como chefe do Departamento de Botânica, também por duas gestões. Orientei 14 mestres em Botânica, co-orientei quatro doutores, publiquei uma série de trabalhos científicos na área (alguns em revistas internacionais), integrei mais de 60 bancas entre mestrado e doutorado em diversas instituições no Brasil, porém nunca perdi o vínculo com as minhas atividades à noite, na Escola Papa João XXIII. Aposentei-me tanto na Prefeitura quanto na UFPR em 2003 e hoje continuo atuando como professor de Metodologia do Ensino de Ciências, em duas Instituições particulares (FACINTER e ISEPE). Minha vivência na Rede sem dúvidas foi o grande baluarte para atuar nesta nova disciplina. No último domingo, tive a oportunidade de, ao ler a Gazeta do Povo, me deparar mais uma vez com a Papa em destaque, considerada uma das melhores escolas públicas da cidade, fato já mencionado em ano anterior, como uma das dez melhores escolas do Brasil. Isso tudo me deixa duplamente orgulhoso – primeiro o reconhecimento da escola, mesmo com todas as críticas que se faze ao que é público, e segundo por ter feito parte dela em toda a minha vida profissional. Professor Yedo Alquini.

 

COMECEI A ESTUDAR NA E.M. SÃO MIGUEL E HOJE SOU PROFESSORA DESTA ESCOLA

Comecei a estudar na Rede Municipal na Escola São Miguel. Na época, a diretora era a professora Ezil. Sempre gostei muito da escola, os professores eram muito legais. As aulas de que mais gostava eram as de língua portuguesa, com as professoras Edna e Roseli Wisoki, e as de educação física, com as professoras Lélis e Teresinha. Lembro-me muito bem de todos os professores pois todos eram de personalidade forte. Quando eu estava na 5ª série, minha irmã começou a estudar na escola; quando ela estava na 8ª, meu irmão entrou na escola; quando ele estava na 8ª, eu voltei para a escola, mas agora como professora. Foi minha maior alegria retornar para a São Miguel, onde sempre estudei, e para ser colega de trabalho das minhas professoras. Inclusive a professora que me alfabetizou no Estado estava trabalhando ali. Dá para imaginar? Foi muito bom revê-la. Hoje, junto com as professoras, recordamos vários momentos da época de estudante e damos muitas risadas. Sinto um carinho enorme por esta escola, orgulho-me dela e luto para que o meu filho, que também está estudando nela, leve boas recordações para o futuro. São Miguel é sem dúvida uma das grandes paixões da minha vida. Regina Celia da Silva Lisboa Rosa

 

VIVENCIAMOS EXPERIÊNCIAS INOVADORAS

Depois de um breve período na Vila Nossa Senhora da Luz e na Escola Isolda Schmidt, fixei-me na Papa João XXIII. Por quatro anos regi classes, tendo por colegas e às vezes co-regentes: Normandil Coelho, Rosemari Palomeque, Ieda Abbud, Marise Bonamim, Tânia Brandt e tantas outras. A escola fora criada sob o conceito, novo para a época, de “escola comunitária”. Vivenciávamos algumas experiências inovadoras, como as aulas de "Artes Industriais" e "Técnicas Agrícolas" no contraturno, o "Clube de Mães" com a colaboração do setor de serviço social, uma escolinha de artes e a classe de pré-escolar. A Marise, a Normandil e logo depois a Ieda foram chamadas para "trabalhar no departamento", com a Profª Eloína Greca, que era a diretora de Educação. E foi a Marise Bonamim que me convidou, alguns anos depois (1970/71), para integrar, no departamento, junto com a Eliana Zielonka e outras, a coordenação das áreas de estudo. Isso já aconteceu durante a direção da Profª Zélia Passos e na época heróica de implantação da Lei 5.692. Foi mais ou menos nessa função que rascunhei um projeto que foi o embrião dos CACs (Centros de Atividades Criativas), inspirado no funcionamento (na época) da Escolinha de Artes do Colégio Estadual do Paraná, que freqüentei assiduamente nos anos 60. Quando foi criado, alguns anos mais tarde, o Centro de Criatividade no Parque São Lourenço, nossa diretoria colaborou com um projeto para o funcionamento do ateliê livre. Inclusive a indicação da professora que coordenou, a princípio, esse atelier (voltado para a comunidade) foi nossa. Depois, o Centro seguiu sua própria trajetória. Esse projeto e outros trabalhos dessa coordenação me valeram, na gestão da Prof.ª Terezinha Pichet, que foi a diretora seguinte, um convite para voltar, assumindo uma nova função. (Digo voltar por que passei alguns meses afastada, em licença sem vencimentos, fazendo uma experiência como professora de Escola Normal na rede particular.) A estrutura administrativa do nosso departamento não era adequada às mudanças que a nova lei de ensino exigiam. Por isso cheguei a ser titular, na época, de uma Divisão do Ensino Médio que abrangia as escolas que tinham classes até a 8ª série. A Prefeitura se organizava não em secretarias, mas em departamentos. A Educação, tão recente na administração municipal, não era sequer um departamento em si. Era uma diretoria subordinada ao Departamento do Bem Estar Social (também meio novinho), juntamente com as diretorias de Saúde e a de Serviço Social . A concepção de "escola comunitária" , com serviços de saúde e assistência social ocupando espaços vizinhos e tornando o aluno o eixo de uma ação conjunta sobre a comunidade, foi, acredito eu, o que inspirou ou decorreu dessa organização do departamento. O conceito dos Núcleos Comunitários evoluiu vigorosamente dessas primeiras experiências e se afirmou durante quase uma década como política educacional da rede. Ocupávamos um espaço no segundo andar do Paço 29 de Março. Era uma estrutura enxuta de gente, e todo mundo fazia duas ou mais coisas. A rede crescia rapidamente (houve ocasiões em que o número de escolas dobrava de ano a ano). Era uma efervescência constante: para equipar e pôr em funcionamento as novas escolas, para fazer os ajustes que a nova legislação de ensino obrigava, para buscar e criar alternativas inesperadas em face dos desafios que surgiam todos os dias, "driblando" a famosa "falta de verba". Fizemos algumas reorganizações do cronograma administrativo da diretoria e também do departamento. Grupo pequeno que éramos, pessoal da administração e diretores de escolas, cheios de juvenil entusiasmo, procurávamos estabelecer um diferencial de qualidade em educação pública. Foi assim que, sem ligar muito para as questões burocráticas, inventamos muita moda: o teste unificado, o currículo único, o pré-escolar em dias alternados, o Projeto Módulo e outros. Mas isso aconteceu depois da chegada do Dr. Coriolano e já é outra história. Profª Ana Maria Miranda

 

ESTUDEI NA E.M. GRACILIANO RAMOS, FORAM OS MELHORES ANOS DA MINHA VIDA

Estudei na Escola Municipal Graciliano Ramos, de 1975 a 1979. Foram tempos felizes, os melhores anos da minha vida. Lembro com carinho da professora Flora, na pré-escola, da dona Ondina, a inspetora, dos lanches maravilhosos feitos pela Dona Eumênia. Não esqueço das festas juninas nem das apresentações que me despertaram o gosto pelo teatro fazendo com que, na continuidade da minha formação escolar, eu me dedicasse a estudar essa arte. A professora Denise Cyomara também colocava uns "carimbinhos" lindos na primeira página dos nossos cadernos, como se marcassem a abertura de uma linda história. O gosto pela leitura foi despertado em mim pela professora Cida, na 3ª e 4ª séries. Todos os dias, antes de terminar a aula, guardávamos nosso material e acompanhávamos a leitura de um livro escolhido por ela. Gostei tanto do "Pequeno Príncipe" que quase decorei o texto, também li Poliana em todas as suas fases. "Tistu, o menino do dedo verde", conto até hoje para os meus alunos e para minha sobrinha, procurando lembrar da doçura da professora Cida quando nos contava essa história. Hoje sou formada em Pedagogia, com pós-graduação em Gestão de Pessoas. Também fiz Magistério e o Curso Técnico de Ator no Colégio Estadual do Paraná. Trabalho como Agente Administrativo durante o dia na secretaria desta escola dos sonhos e, à noite, trabalho como professora de teatro em uma escola de música. Tania Mara das Neves Rosa

 

HÁ POUCO TEMPO, UM ALUNO ME RECONHECEU APÓS 23 ANOS ...

Meu nome é Vivian C.Vasconcellos Kuenzer e após 27 anos em sala de aula, estou atuando na Secretaria Municipal de Educação. Vou deixar registrada aqui uma parte da minha vida... No início de 1979,como professora novata, estava dentro de uma sala de aula com uma turma de 1.ª série . Perguntei a mim mesma : e agora?? o que eu faço com estas crianças ??? e o tempo não passava! Digo que a inexperiência é algo assustador e que hoje em dia, com a prática adquirida, saberia como agir, tomar decisões , enfim, enfrentar o desafio do momento. Iniciei na Escola Mun. Maria do Carmo Martins, localizada na Vila Sandra em Campo Comprido. Nesta escola todos se sentiam em casa, tanto professores como a comunidade, era um lugar aconchegante, pequeno, com vasos de samambaias enfeitando os corredores.Algumas professoras que conheci lá, são amigas minhas até os dias de hoje. Lembro que antigamente os alunos cooperavam com o lanche da escola trazendo de casa um tomate, uma batata ou uma cebola para fazer a sopa.Que delícia de sopa!! Era difícil resistir e não tomá - la. Como não havia muro nem portões protegendo a escola, não era raro ver ,através das janelas das salas, os animais das propriedades vizinhas. No bosque, à frente, o exército fazia treinamento de sobrevivência na mata. Imaginem só!!!! Dei aula para muitas crianças, hoje adultos. Onde estão vocês? Gostaria muito de saber... Há pouco tempo, um aluno me reconheceu após 23 anos, como a sua professora da 3ª série. Senti uma grande emoção ao conversarmos e saber que é um pai de família responsável, de bom caráter, honesto, trabalhador (há 14 anos na mesma empresa), com filhos que agora têm a mesma idade de quando o pai foi meu aluno. Hoje, auxilio na execução do Projeto da Memória da Rede Municipal de Ensino, tão importante para todos nós. Você também pode participar lembrando de algum fato marcante ou mesmo contando sua história de vida que começou numa das escolas municipais. Entrem em contato comigo !!! Estou aguardando. PROF.ª VIVIAN (fones p/ contato: 3350 3012 /3350 3102)

 

DARCI, ONDE ESTÁ VOCÊ

Em 1970 iniciei minha caminhada no Magistério, aprovada no Concurso da Prefeitura Municipal de Curitiba, sendo designada para trabalhar no Grupo Escolar Nossa senhora da Luz. Após a tomada de posse, eis-me então para a apresentação à escola: quantos sonhos, quantos ideais e quantos temores! Cheguei de ônibus , rodando por ruas empoeiradas por quase uma hora, ao famoso “Grupão da Vila”, recebida pela simpática e dinâmica equipe formada pela Diretora Everly, a Secretária Berenice, a Coordenadora Pedagógica Sônia, e muitas outras jovens professoras como eu, para iniciar as atividades. Momentos de ansiedade, misto de dúvidas com alegria de enfim realizar meu sonho de ser professora. Fui designada para ser regente de uma 2ª série, e após receber as orientações e planejamento de ensino, enfim chegou o dia de conhecer meus aluninhos. Relembrei tudo que havia aprendido no curso Normal, preparei materiais didáticos, encapei os cadernos, escolhi recursos motivadores e fui para a sala de aula. Os alunos, ah!, mais surpresos, mais ansioso e mais curiosos que eu, embora tentasse disfarçar minhas emoções para conquista-los de início.Mesmo com uma realidade diferente da qual imaginara, apaixonei-me por eles, e fui aprendendo a conhecer cada um dos alunos, com seus anseios e dificuldades. E como diz a máxima filosófica, a 1ª impressão é a que fica, a 1ª experiência é a que marca, essa turma me marcou e deixou saudades. Até hoje lembro das alegrias e das dificuldades, das tentativas de acerto e das decepções que por conta da inexperiência não deixaram de existir. Mas um aluno em especial me marcou...Hoje, devendo estar com quarenta e poucos anos fico imaginando, onde estará o Darci, o que ele se tornou na vida. E por quê lembro do Darci, entre todos os outros? Porque o Darci era um menino lindo, pele bronzeada, olhos verdes, cabelos lisos, muito pobre com suas roupinhas simples e chinelos gastos; mas não só o aspecto físico chamava a atenção: ele era um menino muito esperto, inteligente ,com personalidade, mas.´sobretudo com uma carência afetiva muito grande. Hoje eu sei que os escândalos que ele aprontava na sala de aula, brigando com os colegas , jogando-se no chão e esperneando quando algo lhe contrariava,era sua forma de dizer: “me ame, eu preciso de você”; e eu , na minha inexperiência queria medir forças, impor minha autoridade, chegando muitas vezes a pedir ajuda às colegas Essa experiência ajudou-me no decorrer da carreira a aprender a conhecer o ser humano, a respeitar suas individualidades e principalmente, respeitar o valor potencial de cada pessoa. Hoje, repito, onde está você, Darci? Você que tanto me ensinou no relacionamento humano, e tanto me ensinou a ser professora de verdade. E os demais “Darcis” do nosso Grupão, será que as sementinhas que plantamos foram férteis? Como seria gratificante para todos nós se encontrássemos o Darci como um cidadão de bem, com valores bem formados e feito de sua vida uma missão dignificante e honrada. Tenho certeza disso, pois foram sementes de amor, e simbolicamente representado pelo Darci, nossos alunos nos proporcionaram a alegria de, ao relembrar a história do magistério municipal de Curitiba, fazer brotar em nós o sentimento da gratidão, do dever cumprido e da realização pessoal e profissional. Curitiba, 08/08/06 SELVA REGINA WOLFF WAHRHAFTIG - Pedagoga

 

MEMÓRIAS DO PRIMEIRO CONCURSO PÚBLICO DA EDUCAÇÃO DE CURITIBA

Tive a sorte, ao iniciar minha carreira na Prefeitura de Curitiba, de poder me inscrever para o primeiro concurso público para professores da rede municipal de ensino. Acabara de me formar quando as inscrições abriram na Rede. Ainda incipiente com duas escolas funcionando (O Papa João XXIII e o Isolda Schmidt ) e outra em construção. No Papa, lecionavam professoras estaduais cedidas ou emprestadas para o município. Algumas professoras tinham sido contratadas interinamente em regime de emergência, algum tempo antes. E só.Concurso Público mesmo , dentro de todas as regras, que inaugurou o quadro de professores primários do Município, o de 1967 foi o primeiro. Estudei para o concurso e para o vestibular ao mesmo tempo. Concurso difícil, em três etapas : Prova escrita com muitas questões discursivas; prova oral onde devíamos discorrer e ser inquiridas por uma banca de três examinadores sobre um tema sorteado. Por fim a aula prática. Tínhamos 24 horas para preparar a aula, plano, material sobre assunto indicado pela professora da classe. A aula era avaliada por dois ou três examinadores. Não foi brincadeira. Fui uma das primeiras a dar aula (foi por ordem alfabética), o que me livrou da tensão de esperar por dias a minha vez. Passei em primeiro lugar, seguida de perto pela Ginilda que tinha feito um curso normal brilhante. O ano letivo começando, esperávamos, eu e outras aprovadas saírem as nomeações e também terminarem as obras na escola da Vila Nossa Sra. Da Luz e para inaugurarmos nosso magistério.Um belo dia, de repente, fomos surpreendidas pelo prefeito, o Omar Sabbag , que nos solicitou que assumíssemos classes nas primeiras 5 salas prontas da escola da Vila N.Sra.da Luz, em caráter provisório. A inauguração do bloco já pronto, com mais ou menos 5 salas estava marcada. (se não me falha a memória, era fim de março e tinha a ver com a fundação de Curitiba). Lá fomos, em condução da Prefeitura para a inauguração, prontas ( eu e algumas poucas colegas) para , após a cerimônia, assumirmos a classe que nos seria designada (Havia já uma diretora interina emprestada do Estado). Chegamos, e nada de alunos, nem comunidade. A tal diretora nada tinha providenciado. Não fizera matrículas. Alegou que não sabia da inauguração. O prefeito, furioso, a quis destituir e indicar uma de nós para assumirmos a direção, ali, no ato. Fomos salvas pela Dª. Chloris, presente como convidada, cunhada do prefeito, nossa ex-professora no Instituto de Educação. Discretamente ponderou que, pela nossa inexperiência e juventude nenhuma de nós estava preparada para tal coisa. Pofª Ana Maria Miranda 

 

... E SURGIU A PRIMEIRA BIBLIOTECA NA E.M. PAPA JOÃO XXIII

Em 1963, surgiu a primeira biblioteca da Rede Municipal de Ensino, organizada por doações e aquisições. Uma equipe de professoras e de alunos realizaram as seguintes tarefas: organização da biblioteca, classificação dos volumes por assunto, encapamento e etiquetação, entrosamento com Artes Industriais (curso da época) para a confecção de caixas destinadas ao fichário, organização de cadernos para controle e retirada de livros, registro e contabilização das despesas com a conservação dos livros. Além de 400 livros didáticos e recreativos, havia 28 coleções, num total de 150 volumes.

 

ACONTECEU NA EM WENCESLAU BRAZ

Num expediente normal de aula, no período da tarde, apareceu na escola um casal de bêbados, pedindo dinheiro para comer. Os professores e funcionários fizeram uma “vaquinha” para ajudá-los. Porém, uma das professoras falou firmemente: “é para comer, não para beber...” e disfarçadamente saiu atrás do casal quem, sem perder tempo, entrou no bar mais próximo. A professora imediatamente entrou no bar a falou: “eu disse que era para comer e não para beber”, quero o dinheiro de volta! E retornou para a escola trazendo o dinheiro.